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Vaginismo: Conheça as causas e tratamentos

Vaginismo, essa palavra é comum para você? Talvez não pelo nome que leva, mas e se eu traduzir por “dor ou desconforto” na hora da relação sexual? Aí já fica mais familiar não?!

Bem, hoje vamos bater um papo sobre esse transtorno sexual que atinge pelo menos 16% das mulheres, e, com causas das mais diversas.

Em meu consultório, chega todos os dias mulheres que não conseguem experimentar o verdadeiro prazer sexual, pois a dor sempre chega antes, e isso não precisa ser assim.

Como terapeuta, meu grande objetivo é transformar as relações mais prazerosas e cheias de prazer e leveza, penso sempre em qualidade e para que isso aconteça, a dor precisa ficar de fora.

Então, vamos falar  TUDO, tudo mesmo sobre o vaginismo. Os sintomas, causas e como é o tratamento seja na terapia sexual online ou presencial.

O que é Vaginismo?

Vaginismo, também conhecido como Transtorno da Dor Gênito-Pélvica, é a contração involuntária dos músculos vaginais, causando dor e desconforto na penetração, dificultando ou impedindo que ela aconteça.

Segundo o DSM-5 cerca de 16% das mulheres brasileiras sofrem com algum desconforto na hora do sexo. O pior dessa estatística é que a grande maioria dessas mulheres acha que ter dor durante a relação sexual é normal e, acabam não buscando ajuda, ou a buscam somente quando não aguentam mais e chegam a sangrar quando a penetração acontece, nesse estágio a dor é insuportável.

Quais são os tipos de Vaginismo?

Podemos encontrar os seguintes tipos:

  • Primária: quando acontece desde a primeira relação ou tentativa de relação sexual;
  • Secundária: as relações sexuais eram normais e, a partir de determinada época, passaram a causar desconforto/dor;
  • Situacional: a dispareunia ocorre apenas em determinadas ocasiões ou certos parceiros;
  • Generalizada: a mulher é incapaz de conseguir qualquer tipo de penetração, sem que essa se acompanhe de desconforto.

Os relatos femininos sobre o transtorno incluem variações, da sensação superficial à dor profunda. Já a intensidade pode ir do leve desconforto até uma dor aguda forte.

Rompendo o Ciclo da Dor

Uma das principais características das disfunções sexuais como o Vaginismo ou a Dispareunia, é a presença de um círculo vicioso, isto é, um ciclo de dor alimentado pelas consequências da própria disfunção, reforçando ainda mais os sintomas e agravando o quadro de dor.

Causas físicas, psicológicas ou indeterminadas podem dar início ao ciclo em alguma das 3 fases:

  • Pré-penetração
  • Durante a Penetração
  • Pós-penetração

Gráfico de Ciclo de Dor

Para que esse ciclo de dor seja interrompido é preciso seguir diversos exercícios tanto físicos quanto comportamentais, pois a intenção é fazer com que o cérebro entenda que o sexo é bom e prazeroso.

Para isso acontecer é preciso seguir um passo de cada vez no tratamento, oferendo a mulher “pequenos prazeres” sexuais sem a necessidade de penetração, assim se abrindo mais mais a relação.

Mais adiante em nosso artigo, vou falar com vocês como funciona o tratamento do vaginismo, assim ficará mais fácil o entendimento.

Causas do Vaginismo

As causas para o surgimento do vaginismo são diversas. Nos casos de vaginismo primário, as causas são mais relacionados ao lado psicossomático. Podendo ter ligamento direto com criação, sexualidade, histórias de abusos na infância, falta de conhecimento sexual, medo do sexo etc.

O vaginismo secundário não se difere muito nesse sentido, também pode estar ligado à experiências psicológicas e traumáticas em relação ao sexo, mas que acontecem depois de um momento da vida.

É importante ressaltar que também podem ser causadas por problemas físicos, como abortos, partos normais e infecções (na vagina ou na urina). As causas podem muitas vezes serem um mix de fatores físicos e psicológicos, que só podem ser confirmados com um especialista.

Dentre as causas orgânicas que podem impedir ou dificultar a penetração e causar dor estão:

  • Inflamações e infecções vaginais;
  • Vulvodinia / vestibulodinia: dor crônica na abertura da vagina;
  • Doenças inflamatórias pélvicas;
  • Pós parto doloroso;
  • Líquen escleroso: doença que provoca manchas brancas na pele, geralmente na região genital;
  • Abusos sexuais ou estupro;
  • Exame médico traumático;
  • Lesões na vulva ou vagina;
  • Anormalidades do hímen;
  • Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Relações dolorosas depois de infecções vaginais mesmo após tratamento;
  • Atrofia vaginal: principalmente após a menopausa.
  • Problemas na anatomia vaginal;
  • Disfunções hormonais;
  • Excesso de tensão dos músculos vaginais e do assoalho pélvico;
  • Falta de excitação ou lubrificação vaginal;
  • Endometriose.

Os principais fatores psicológicos que podem estar na origem do vaginismo são:

  • Ansiedade;
  • Medo de sentir dor durante a penetração;
  • Experiências sexuais traumáticas no passado, como abusos ou violência sexual;
  • Educação sexual repressora;
  • Tabus religiosos;
  • Falta de informação sobre o que é uma relação sexual;
  • Falta de conhecimento do próprio corpo;
  • Problemas de relacionamento com o parceiro.

Para um resultado e diagnóstico mais assertivo, é ideal que a paciente passe por um ginecologista para descartar possíveis causas orgânicas/fisiológicas e, também ser avaliada por um terapeuta sexual.

Com essas duas avaliações, é possível dar início ao tratamento com maior qualidade e com alto índice de sucesso.

Sintomas do Vaginismo

As mulheres costumam descrever a sensação de dor como que um “rasgo” ou até mesmo uma ardência muito forte.  Dependendo da intensidade, os sintomas do vaginismo variam desde leves a graves,  até o total fechamento do canal vaginal, tornando impossível a penetração.

Veja abaixo os sintomas mais comuns que as mulheres enfrentam quando sobre com o Vaginismo.

  • Dificuldade para manipular a região da vagina;
  • Medo para realizar exames ginecológicos;
  • Baixa auto estima e ansiedade relacionado à temas sexuais;
  • Ardência ou latejamento com estreitamento da abertura vaginal durante o sexo;
  • Penetração difícil ou impossível, dor na entrada vaginal;
  • Dor sexual frequente e de origem desconhecida, sem causa aparente;
  • Dificuldade em inserir absorventes internos ou submeter-se a exame pélvico / ginecológico
  • Espasmos em outros grupos musculares do corpo (pernas, parte inferior das costas, etc.) e/ou respiração “presa” durante tentativas de relação sexual;
  • Evitamento de relações sexuais devido à dor e/ou fracasso

Como é feito o diagnóstico de Vaginismo?

O diagnóstico pode ser feito em terapia com a paciente, e através da história clínica e dos sintomas, é possível saber se a mulher sofre com o vaginismo. O profissional para analisar se a mulher sofre com o vaginismo é um Terapeuta Sexual, pois conhece a fundo os sintomas e já consegue tratar em terapia.

O maior problema enfrentado nos dias de hoje é que muitos médicos desconhecem o vaginismo e acabam dizendo para a paciente que ela precisa só “relaxar” ou até mesmo “tomar um vinho”, pode parecer estranho, mas já recebi pacientes que ouviram essa frase de médicos.

Por isso, se você mulher, já ouviu frases desse tipo, não desista de procurar ajuda. Vaginismo tem tratamento sim, só é preciso encontrar o profissional certo.

Tratamentos para o Vaginismo

A contração involuntária nos músculos vaginais está quase sempre associada a algum problema emocional, quase sempre inconsciente. Isto significa que, na maioria dos casos, a mulher nem mesmo desconfia da existência desse problema psicológico.

Para que o tratamento surta efeito é fundamental o acompanhamento em terapia sexual, onde será feita uma abordagem direta com foco em descobrir a origem do problema. A partir daí, dá-se o andamento no tratamento que pode ser de várias maneiras

Em meu consultório eu utilizo os seguintes tratamentos nos casos de Vaginismo:

Abordagem terapêutica

Através de conversas é possível identificar as causas do vaginismo e, assim conversar com a paciente, tratando questões como crenças em seus diversos âmbitos, a maneira como a paciente enxerga o sexo, etc.

Na abordagem terapêutica conversacional, é avaliado a qualidade do relacionamento da paciente, que em grande parte dos casos, tem muita influência na dor.

Exercícios do Pompoarismo

O pompoarismo é uma técnica muito utilizada no tratamento do vaginismo, embora os movimentos sejam basicamente de “aperta e solta”, ele proporciona uma consciência corporal e um excelente autoconhecimento para as mulheres, o que melhora e até mesmo cura o vaginismo.

Pompoarismo Feminino

As mulheres que praticam a ginástica íntima, conseguem ter melhor lubrificação, melhor consciência do assoalho pélvico, os movimentos aumenta a circulação sanguínea, além de a excitação ficar melhor.

Todos os benefícios do pompoarismo feminino proporcionam melhora significativa dos sintomas do vaginismo.

Dilatadores vaginais

Como o desconforto acontece na hora da penetração e, muitas mulheres só de pensar no ato sexual já se sentem mal, os dilatadores são acessórios que auxiliam na hora de preparar a mulher para a penetração real.

Por ter tamanhos crescentes que respeitam o alongamento da região intima além do poder térmico que garante relaxamento extra da musculatura do assoalho pélvico durante o tratamento, os dilatadores são grandes aliados para um resultado positivo.

Algumas mulheres são muito resistentes em se “auto-explorar”. Nestes casos, o dilatador vaginal é recomendado. Eles são reconfortantes pelo seu aspeto médico que a traz de volta ao seu corpo e não ao lado sexual. O uso de um dilatador vaginal é um bom complemento para uma terapia.

Hipnose clínica

Uma abordagem indispensável no tratamento da terapia sexual é a hipnose clínica. Uma maneira muito eficaz, uma vez que trabalha questões subconscientes da paciente, além de tratar até mesmo diversos outros problemas que estão diretamente ligados ao vaginismo, como a ansiedade por exemplo.

Terapia Sexual para Mulheres

A hipnose clínica, apresenta excelentes resultados nos tratamentos dos transtornos sexuais, visto que em sua grande maioria são geradas à partir do emocional/psicológico.

Com uma técnica de relaxamento e reprogramação mental, aliada a técnicas de PNL (Programação Neuro Linguística) já faz parte de estudos comprovante a eficácia em consultórios, não somente de psicoterapia, mas como por exemplo dentistas e até mesmo tatuadores.

Quanto tempo leva o tratamento de Vaginismo?

Vaginismo é um transtorno sexual relativamente fácil de se tratar quando se tem como objetivo capacitar a paciente para a penetração.

O maior complicador é que as mulheres na maioria das vezes desconhecem o problema, pois acham que ter dor durante o ato sexual é normal e vivem assim por anos.

O tempo médio de tratamento pode se dar em 3 meses, levando em consideração uma sessão de psicoterapia sexual por semana. Esse tempo pode variar, pois é possível que se tenha que efetuar um atendimento multidisciplinar, como por exemplo com fisioterapeuta pélvico e ginecologista.

Como se prevenir o Vaginismo

A prevenção do vaginismo pode ser feito com o autoconhecimento genital, ou seja, tenha conhecimento da vulva, canal vaginal, o que é cada pedacinho e para que serve.

O toque no corpo todo e, principalmente na vagina deve ser algo tão natural como que acariciar os braços.

A mulher que se conhece, que tem facilidade de falar sobre sexo e que enxerga o seu corpo como um todo (que realmente é), é uma mulher mais segura e que se entrega sem medo para o momento do prazer, para o sexo.

Algumas estratégias que podem ajudar são:

  • Cuidar do relacionamento amoroso, para garantir o entrosamento e a intimidade do casal, tendo tempo um para o outro;
  • Seguir o tratamento indicado pelo médico ou pelo sexólogo;
  • Conhecer o próprio corpo, o corpo do parceiro e as suas emoções;
  • Estar descansado tanto fisicamente como mentalmente;
  • Tentar o contato íntimo num ambiente calmo e sossegado, longe do stress;
  • Estipular um dia para o encontro e se preparar para a intimidade durante o dia;
  • Fazer refeições leves, em pequena quantidade, mas com alimentos afrodisíacos;
  • Usar lubrificante íntimo antes e durante as tentativas;
  • Estabelecer um limite, para que o parceiro saiba quando deve desistir se você não estiver confortável;
  • Durante as preliminares estar confiante e dizer o quando você gosta e está feliz com seu parceiro.

Além disso, estar seguro de que o relacionamento íntimo não será prejudicial para o casal ajuda a melhorar o contato íntimo aos poucos, ainda que seja preciso um investimento de meses e até mesmo anos para atingir uma vida íntima saudável.

Leia sobre: Saiba tudo sobre o clitóris

Pode ser difícil dizer se os fatores emocionais estão associados à dispareunia. A dor inicial pode levar ao medo de dor recorrente, tornando difícil relaxar, o que pode levar a mais dor. Você pode começar a evitar a relação sexual se você associar a dor.

Dica Para os Homens

Na fase do tratamento para o vaginismo, a colaboração do homem é fundamental, pois o parceiro está em contato direto com a mulher, por isso alguns cuidados devem ser levados em consideração, como por exemplo. as preliminares e até mesmo uma penetração “mais calma” para que a mulher não se sinta agredida ou invadida pelo parceiro.

Conquistar a confiança da mulher que enfrenta o vaginismo é um  passo essencial para que o tratamento tenha excelente evolução.

Complicações possíveis

Além de o vaginismo acabar afastando o casal e tirar o prazer da mulher, ele impede que muitas mulheres venham a engravidar, isso porque nos casos mais graves, a mulher não consegue permitir que a penetração aconteça, inclusive há relatos de mulheres que chegam em meu consultório com anos de relacionamento e ainda virgens, e procuram ajuda profissional somente quando desejam ter filhos.

Saiba mais sobre a Terapeuta Sexual Débora Martins

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