Transtorno de desejo: Porque isso acontece?

O transtorno de desejo dificulta a grande maioria dos relacionamentos. Pelo menos 90% dos casais sofrem com esse transtorno, por isso, o tema de hoje é especialmente sobre isso.

Como terapeuta sexual, já ouvi queixas de meus pacientes ligadas às mais variadas razões, tanto as clínicas como as psicológicas. Mas uma é praticamente onipresente em praticamente todas as minhas sessões: o desejo sexual.

O excesso ou, em muitos casos, a falta dele, tem sido apontada por boa parte dos meus pacientes como motivos que tem levado, por exemplo, ao fim de relacionamentos que pareciam maravilhosos ou que tinham tudo para durar uma vida inteira.

Muitas vezes, aliás, esse desinteresse acontece praticamente do nada. É como se, um belo dia, um botão dentro delas fosse acionado e os “fogos de artifício” vivenciados na relação a dois praticamente desaparecessem.

Quando isso acontece, é muito comum que os parceiros desconfiem da existência de um “terceiro elemento” na relação. A falta de desejo, aliás, é sempre justificada como uma potencial traição. Como aquilo que está ao seu alcance já não interessa mais, a parceria vai buscar algo novo em casa.

Mas, o que muitos casais não sabem, é que algumas vezes o desinteresse sexual não tem relação alguma com a vontade de terminar o relacionamento ou mesmo experimentar novas sensações, e sim está relacionado a um problema de ordem física. Estamos falando aqui do transtorno de desejo sexual, no caso o baixo desejo nas mulheres.

O que é Transtorno de desejo?

O transtorno de desejo é basicamente a falta de vontade de ter relações sexuais.

Também chamado e de baixa libido, ele acontece quando a pessoa, mesmo que estimulada adequada, não consegue atingir a excitação sexual, tornando o ato em si algo extremamente desestimulante  e altamente prejudicial para o casal, já que o outro que está com vontade, poderá perceber, rapidamente, que sua parceria está ali, na cama, apenas por “obrigação”, não por “vontade”.

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Embora não seja tão comum em homens, o transtorno da excitação sexual na mulher é mais comum encontrado e, pode ter múltiplas causas, o que torna o seu diagnóstico um pouco mais complexo em alguns casos.

Por exemplo, em minhas sessões, eu já tive contato com pacientes cujo transtorno tinha origem física, como diabetes, doenças cardiovasculares, enquanto em outras a origem era psicológica. Pessoas muito estressadas ou com problemas no relacionamento podem desenvolver o distúrbio que, se não tratado, pode comprometer não apenas o relacionamento atual, mas todos os que venham a seguir.

Diagnóstico é importante

No caso de mulheres:

Para uma mulher, principalmente as mais velhas, dizer não a um parceiro é muito difícil, e se torna ainda mais complicado quando pensamos em relações sexuais. Embora estejamos no século 21, muitas de nós ainda acha que mulher precisa estar disponível sempre, mesmo quando isso lhe causa dor.

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Para muitas o problema não existe ou não é algo importante, e que não precisa ser levado a sério. Algumas delas podem pensar da seguinte forma: bem, hoje eu senti um pouco de dor porque estava cansada. Bem, se eu não reclamar e deixar que ele faça o que quer, isso acaba rápido e posso voltar aos meus afazeres diários.

O que muitas de nós não levamos em consideração, infelizmente, é que esse pensamento é perigoso de muitas maneiras. Prejudica nosso corpo, pois pode provocar ferimentos íntimos, e sobretudo nossa “alma”, já que algo que deveria ser prazeroso, como o momento a dois, se torna algo burocrático, que fazemos porque “tem de ser feito”, não porque queremos.

No caso dos homens:

Muita gente acha que desejo sexual, ou melhor a falta dele não atinge os homens. Mas a procura para tratar esse transtorno cresce cada dia mais em meu consultório.  Por isso é preciso entender como funciona o processo da resposta sexual em homens para tratar com qualidade.

Assim como nas mulheres, o relacionamento influencia no “querer” sexo, além é claro de fatores ambientais, fisiológicos e alguns outros.

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Por isso, sempre que meus pacientes, durante nossas sessões, me relata esse tipo de dificuldade, busco incentivá-los para que possamos investigar, juntos, o que pode estar causando esse problema, para que ele possa ser corrigido e os momentos a dois deixem de ser algo burocrático para que se tornem o que nasceram para ser: um momento de prazer e união do casal.

Diagnosticando

Quando suspeito que um paciente possa ter o transtorno da desejo sexual, eu abordo todos os aspectos possíveis para chegar a essa ausência de vontade de relações sexuais.

Todos os detalhes são importantes para um bom diagnóstico. Perguntas diretas, investigação sobre hábitos de vida, relacionamento satisfação/insatisfação sexual, uso de medicamentos e até mesmo problemas ginecológicos ou com urologista são investigados.

Leia aqui: Como saber se foi bom para ele?

Eu costumo recomendar também a ida ao ginecologista no caso de mulheres e ao urologista no caso dos homens, para que uma bateria de exames possa ser feita e descartado, ou confirmada a influência de fatores físicos para o surgimento do problema. Se o corpo estiver bem, é hora de tratarmos a mente, para que o sexo deixe de ser um problema e se torne a solução.

Tratando o problema

Um dos grandes diferenciais quando tratamos a ausência de desejo, é, além do tabu que gira em torno desse assunto, a inexistência de medicamentos que “corrijam” o problema. Sim, porque não existe uma pílula mágica que devolva a o desejo, tanto para homens quanto para mulheres.

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Aqui comigo, é tratado a questão psicológica dessa ausência de desejo. Depois de descartado a causa fisiológica, vamos para os aspectos emocional/psicológico.

A solução para o problema é, digamos, um pouco mais complexa, porém, não impossível. No tratamento para o transtorno de desejo, é necessário seguir alguns passos que na verdade são simples, mas que muita gente negligencia e acaba não praticando.

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E, mais do que isso, é preciso que o paciente conheça seu próprio corpo, sua anatomia, saiba quais são seus pontos chave para o prazer. Afinal, somos seres tão complexos que não há uma regra que possamos generalizar e dizer: esse é o segredo. É aqui que tudo se transforma.

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É aqui, nessa descoberta, que eu entro, a terapeuta sexual. Meu papel é justamente auxiliar cada pessoa nesta caminhada, permitindo que ela entenda seu corpo e saiba o que lhe dá e o que não lhe dá prazer. Dando-lhe a confiança para que deixe os tabus de lado e se permita sentir prazer. Afinal de contas esse não é um privilégio apenas do homem.

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